Um aumento do controle sobre os poderes presidenciais está entre as mudanças votadas no referendo da quarta-feira, que aconteceu dois anos após alegações de fraude na eleição presidencial que despertaram protestos com 1.300 mortos.
O novo marco legal aborda a corrupção, o clientelismo político, a ocupação de terras e o tribalismo, que assolam o Quênia desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1963.
A aprovação do referendo pode ajudar o primeiro-ministro Raila Odinga em sua campanha presidencial para a votação de 2012, de acordo com analistas. O presidente Mwai Kibaki não poderá concorrer à reeleição, uma vez que já está em seu segundo mandato.
Os resultados finais da votação mostraram uma aprovação de 67 por cento à nova Constituição, ante 30 por cento de votos "Não", de acordo com a autoridade eleitoral do Quênia.
Para ser adotada, a nova lei precisava de 50 por cento mais um voto entre os eleitores de todo o país, e ao menos 25 por cento dos votos em cinco das oito províncias do Quênia.
O presidente norte-americano Barack Obama, primeiro presidente negro dos EUA cujo pai era queniano, descreveu o referendo como "um passo magnífico para a democracia do Quênia", em um comunicado divulgado pela Casa Branca.
A campanha do "Sim" já comemorava a vitória antes mesmo do fim da apuração com um mar de manifestantes tocando vuvulezas, cantando e dançando.
Após anos de eleições turbulentas, a nova Constituição é vista como um passo importante para evitar que se repita a violência tribal ocorrida após o pleito do começo de 2008, que empurrou este país de 40 milhões de habitantes para a beira da anarquia.
As mudanças vão permitir um maior equilíbrio dos poderes presidenciais, mais atribuições às administrações de base e um aumento das liberdades civis.
O Quênia tem a quarta maior economia da África Subsaariana, atrás de África do Sul, Nigéria e Angola.
Fonte:O Globo
Editado:NewsTV+
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